domingo, 10 de junho de 2012

Esse é meu pai!



Viver, uma palavra tão simples com um significado tão complexo. Complexo não quer dizer que não é bom, é muito bom. Mas nem sempre é fácil. Às vezes a gente acha que não vai conseguir, que temos muitos problemas, que talvez seja melhor apenas... Desistir. E aí, como um momento repentino de lucidez, a gente se lembra. Eu acredito que todas as pessoas que “desistem” não são fracas, são apenas cegas. Não leve ao pé da letra. Cegas para coisas abstratas, como por exemplo, o amor. Já disseram que É Preciso Saber Viver, eu digo que não. É preciso saber amar. Principalmente, é preciso saber ser amado. Por isso que nos momentos mais complicados de nossas vidas, a gente sempre se lembra. A gente se lembra das pessoas que mais nos amam. Lembra que é por elas que nós vivemos e mais, por causa delas que nós vivemos felizes. De repente, ninguém mais está só e a vida parece tão descomplicada.

Ter alguém que sabe todos os meus segredos, que pensa como eu e que concorda com tudo que faço, é importante. Mas ter alguém que, mesmo sem saber tanto assim, confia em mim de olhos fechados, a própria vida. Que mesmo tendo pensamentos completamente distintos, aceita os meus e até os defende na frente de outros. Que mesmo que não concorde com nada que eu venha a fazer, apoia e ainda se sente orgulhoso no final. Isso sim é ter alguém que me ama. Esse é meu pai!

É bem isso, papis. Você me faz viver sempre feliz, porque todo momento que eu estou triste, eu me lembro de você, do quanto você me ama, e isso é suficiente para me fazer sorrir de novo. Não tem um momento da minha vida que eu me esqueça de você, por que não teve nenhum momento que você não esteve presente. Essa nossa amizade, sim, é uma amizade de fazer inveja a muita gente, é incrível. Eu tenho orgulho de você, de cada passo que você da na vida, seja ele para frente, para trás, para o lado, não importa, eu também confio em você. Saiba que eu sempre digo a todos o seguinte: quando eu crescer, eu quero ser igual ao meu pai. Fim de conversa. É meu maior exemplo de viver bem. Você encontra a felicidade nas coisas mais simples, em alguma companhia, em alguma paisagem. Felicidade essa que eu desejo que você tenha eternamente. Eu não quero que o seu sorriso deixe de brilhar nunca. Se o seu sorriso não brilhar, pai, o meu não ilumina.

Pai, pai, pai. Eu te amo tanto. Mas isso você já sabe. Talvez você não saiba que é uma das pessoas que eu mais admiro. O mais inteligente, o mais corajoso, o mais divertido. O melhor pai do mundo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um sonho que sonhei.


- Minha filha, os tempos estão difíceis. Eu estou fazendo de tudo para conseguir algum dinheiro e fazer esta mesa voltar a estar cheia de comida.

Eu olhei mais uma vez para o nosso almoço. Não sei se minha fome era suficiente para comer aquilo, mas certamente seria mais tarde. Meu pai tinha um sorriso amarelo no rosto, ele estava tentando de verdade melhorar aquela situação. Já havia vendido seu carro, sua moto, até meu computador. Mas as dívidas pareciam que não acabavam nunca.

- Estou indo pro meu quarto, papai. – Passei por ele e ganhei um beijo.

Meu quarto não era mais o mesmo. Não tinha mais meu som, minha televisão. A única coisa que ainda me deixava alegre em casa era minha câmera fotográfica. Sempre foi minha maior paixão fotografar. Peguei-a em cima da cama e me apressei pelo corredor para fugir daquela realidade. Foi quando ouvi meu pai ao telefone.

- Eu preciso de mais tempo. – Ele colocou a mão na cabeça. - Nem falta tanto dinheiro assim. É pouca coisa. – Pausa dramática para mim. – Ok. Amanhã te entrego o dinheiro.

Meu pai desligou o telefone e sentou no sofá. Eu me escondi perto da porta para que não me visse. O que vi a seguir apertou meu coração. Meu pai chorou. Ele fechou os olhos e as lágrimas saíram rápido. 

Não consegui ficar para ver o seu sofrimento e corri sem direção pela rua. As pessoas olhavam para mim em um misto de medo e dó. Uma sensação quase sufocante me abraçou e fui obrigada a parar para respirar. Foi aí que tive a ideia que me deixou de joelhos no chão. Meu pai precisava de mim e ele teria minha ajuda.

Tirei a câmera da bolsa e comecei a fotografar as pessoas. Seus olhares penosos me renderam fotos maravilhosas. Não achei suficiente e continuei caminhando. Fotografei as estradas, as paisagens, os animais. Tudo que me chamou a atenção, eu registrei. Depois voltei para casa, mas antes, passei na vizinha e descarreguei todas as fotos em seu computador. Era uma senhora simpática que adora meu pai.

- A senhora, por favor, diga a todos que usarem seu computador que não apaguem o álbum com nome As Últimas Fotos, certo? – Ela sorriu solidária e me abraçou.

Naquele dia eu vi meu pai chorar mais uma vez. Foi quando entreguei a ele o meu equipamento de fotografia completo e disse que vendesse para pagar a última dívida. Ele relutou em aceitar, mas acabou cedendo e me agradecendo.

Dois dias depois, meu aniversário. Que irônico. No lugar de ganhar presente, já que não tínhamos dinheiro para isso, eu acabei me desfazendo de algo. Levantei da cama para começar o dia e fiz questão de descer com o pé esquerdo. Essa hora papai não estaria em casa e não tinha nada para fazer. Tomei meu café pensando em como seria bom ter uma câmera para fotografar minha cara de depressão nesse momento. A deprê só aumentou por isso. Seria uma foto famosa.

- Filha, corre aqui. Cheguei. – Papai gritou lá do jardim.

Fui ver o que ele queria e o encontrei com um pacote na mão.

- Pai, eu não acredito. Não precisava. Não temos dinheiro. – Peguei o pacote.

- Abre. – Ele sorria de orelha a orelha.

Estranhei todo o seu contentamento, mas abri mesmo assim. Enquanto eu abria, meu coração acelerava. Meus dedos tremiam. Ao final, meu rosto já estava banhado em lágrimas de alegria.

- Feliz aniversário. – Papai me disse.

Sorrindo, eu o abracei. Antes de correr com a minha máquina fotográfica, sim, a minha mesmo. Aquela que tinha dado para ele vender e que agora estava em minhas mãos novamente.

- Foi o melhor presente de aniversário que ganhei na minha vida, pai.

- Mas já era seu.

- Não importa. Eu estou mais feliz agora.

Raíza Andrade.

domingo, 13 de maio de 2012

Luz - Parte II


            - Salve-se quem puder. – Gritou um homem ao longe.
                 
            - Corram, corram! – Completaram outras pessoas ao seu redor.

          Ela não moveu um músculo. Muita gente corria para o outro lado e nada fazia de verdade. Apenas dava pra se observar o egoísmo alheio. A vontade de se salvar superava o amor ao próximo. Ela, de onde estava, conseguiu ver pessoas empurrando outras, morro abaixo, só para a garantia de sua própria segurança. Ela viu casais se separarem por ser impossível um e outro escaparem juntos. Ela sentiu dor, tanto amor se dissipando.

Mas algum tempo depois, algo inesperado aconteceu. Ela observou uma mulher correndo na direção contrária. “Para onde vai essa daí?”, pensou em perguntar, depois achou que era melhor descobrir sozinha e seguiu a moça. Quanto mais perigoso ficava, mais desesperada a mulher estava perto de tal perigo. Já tinha visto muito marmanjo grande com medo de tudo, a coragem da mulher chamou mesmo sua atenção.

A doida, como resolveu chamá-la, parecia realmente não ter noção de seus riscos. Era a hora de intervir e leva-la dali. Quando se preparava para arrastar a mulher de lá de dentro, ouviu algo baixinho. E, como se não pudesse ficar mais difícil de entender, a mulher sorriu. Estava ali, em meio ao fogo, em meio ao desabamento. Em uma tragédia. Mas sorriu e seus olhos brilharam. A cena foi tão emocionante que quase não percebeu quando a mulher correu em direção ao som. Quando deu por si e foi atrás, já estava segurando um pequeno pacote. Ao olhar de perto não acreditou no que viu. A doida olhou para o que segurava e disse apenas:

- Está tudo bem agora. A mamãe está aqui com você.

Não soube ao certo explicar se a mulher saiu de lá com a criança ou se ficou lá dentro. O que não saia da sua cabeça era o sorriso sincero de felicidade no meio de tanta coisa ruim acontecendo. A doida teve toda a chance do mundo de se salvar e voltou. Voltou porque sua vida não teria salvação sem sua filha. Buscou em todo seu histórico de amores entre seres humanos e constatou, pela primeira vez, que o mundo não era tão mesquinho. Que nele tinham amores de tamanhos indefiníveis. E os maiores que pode observar, eram exatamente como o que vira naquele dia. De uma mãe para um filho.

Mães são criaturas loucas. Loucas de amor.

Eu te amo, mãe. Obrigada por tudo. Obrigada por estar sempre me salvando mesmo que isso custe a sua própria salvação. E obrigada por simplesmente existir.

Raíza Andrade

domingo, 29 de abril de 2012

Os Sábios são os Irracionais...

Era uma vez uma mosca. Ao nascer ela foi avisada só ter um mês de vida. Durante sua vida curta ela fez tudo que pode, ao invés de se deixar abater pela sua futura morte precoce. Faltando algumas poucas horas para o seu trágico destino, a mosquinha, já uma idosa, foi procurada por um dos seus filhos:

- Mãe, como a senhora consegue estar feliz sabendo que morrerá daqui a pouco?

- Meu filho, eu estou contente porque estou realizada. Fiz tudo o que queria na minha vida.

- Mas como a senhora conseguiu sabendo que tinha um prazo para viver?

- Ah jovem. Para tudo se tem um prazo. O melhor que você faz é aproveita-lo sabia?

- Eu fico meio triste às vezes por saber que morrerei rápido. Olhe os humanos, eles vivem tanto, queria ser como eles.

- Observe-os, querido. Eles desde o nascimento, como nós, têm um prazo de validade. Umas vezes mais curtos e outras vezes mais longos. Mas vivem sabendo que um dia não viverão mais. E observe melhor. Eles não aproveitam esse tempo, por isso vivem tão infelizes. Simplesmente não aproveitam o prazo que tem. Eles desde cedo reclamam da vida. Imagina se nós fizéssemos isso com o tempo que temos? Não daria nem para ficar deprimido.
 
- É verdade, mamãe. Melhor eu aproveitar muito bem meu tempo, não é?

- Sim, só se vive uma vez. Só temos esse prazo. Devemos aproveita-lo. Os humanos algum dia entenderão isso. Você ainda quer ser como eles?

- Não, não. Acho que o tempo que eu tenho é mais que suficiente para me divertir. Mas ainda sobra um pouco para eu sentir pena deles. Deve ser muito triste perder tempo lamentando o que se tem de mais importante não é mesmo?

Raíza  Andrade

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Luz!




Era uma vez uma criança. Amada era o seu nome. Morava em um castelo luxuoso de paredes grandes feitas com pedras esculpidas a mão. Ficava no seu quarto, na cama rosa de princesa. Olhava o teto e admirava o lustre brilhante que se debruçava em cima de sua cabeça. Tentava a todo custo tocá-lo, mas era em vão. Ficava muito no alto. Claro que sonhava. Qual criança não sonha? Queria casar-se com um príncipe e viver feliz para sempre. Queria cuidar dos animais e ajudar os doentes. Levar alegria ao povo do seu reino. Chegou a pensar que seguiria carreira artística. Ensaiava as músicas com determinação enquanto o jogo de luzes iluminava todo o seu jardim. Verde. Amarelo. Vermelho. Ao seu lado estava sempre brilhando uma luz. Apenas uma luz ofuscante e sem graça. O divertido mesmo era se tornar rainha. De fronte a grande construção Real, tinha um lago. Quando chovia as águas do lago pareciam querer conversar com Amada pela janela de seu quarto. Como ela era feliz. Mas lá estava a luz de novo. Evitando que essa água se juntasse a ela em outras brincadeiras. Amada queria brigar com a luz, mas não conseguia. Mais uma vez voltava aos ensaios para cantora. E outra vez. E outra. Várias vezes. Verde. Amarelo. Vermelho. Em dias de inverno. Adorava o clima frio do castelo. Inúmeras vezes ela fora impedida pela luz de desfrutar dele. Sentia-se perdida, seguia pelo castelo, brincando com suas bonecas de escalar as grandes montanhas do reino. A luz não permitia também. Parecia ser tão chata. Por que não ia embora, simplesmente?

Até que Amada cresceu. Nas noites de inverno impiedosas, deitada em baixo de uma antiga construção abandonada, observava pela brecha das telhas a lua brilhando sobre sua cabeça. Não tentava mais pega-la com as mãos. Apenas se esforçava para afastar do colchão rosa bebê no qual estava deitada, a água que sem cerimônias adentrava no seu abrigo. Parecendo não mais querer brincar com ela, e sim, disposta a uma grande discussão. Relembrava quantos namorados tivera até então. Nenhum que a fizesse feliz o suficiente. Já não achava mais divertido cantar enquanto recebia esmolas no sinal todos os dias, mas era obrigação, era necessidade. Ficava repetindo em pensamento. Verde. Amarelo. Vermelho. As montanhas nas quais brincava com suas bonecas encontradas nas calçadas, não eram mais tão legais. Agora elas pareciam querer engoli-la. Vinham cada vez mais perto e assustavam por pirraça. Não sabia por que conseguia ser tão feliz. Não entendia por que não sofria. Questionava-se sobre isso somente até a porta se abrir e por ela entrar uma luz. Nesse momento Amada esquecia tudo. Voltava ao castelo, sentia-se protegida, saltava da cama rosa, corria pelo quarto espaçoso iluminado apenas pelo grande lustre. Pulava em direção a luz e gritava:
- Mamãe!

Raíza Andrade

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ponto de Vista!


Quanto vale você? Quanto eu estou valendo agora? Será que algum dia eu poderia saber? Sei lá, talvez um dia eu queira me vender pra alguém. Quem faz doação é caridade e produto de graça é produto sem valor. Calma, muita calma. Eu não quero me vender agora. Quero apenas estimar quanto eu lucraria vendendo a mim mesma, afinal, estamos em um mundo capitalista. Se tudo gera lucro, por que eu não? Mas não encontrei especialista no assunto para avaliar o meu valor. Aconselharam-me a me colocar em um leilão, caso precise, em que cada interessado faz a sua oferta. Seria interessante, eu pensei. Teria muita gente que avaliaria os meus prós e os meus contras. Muitos contras baixariam a oferta e muitos prós a aumentariam. Simples assim.

Espera... O que é um “contra” pra você? É o mesmo que para sua mãe? É o mesmo que para seu irmão? Se não, não, você não me avalia. Vocês são muito confusos. Eu sou muito confusa. Tentei me colocar junto aos meus pais escolhendo as minhas qualidades e os meus defeitos. Não funcionou nem um pouco, minha mãe achava que eu era boa nisso, meu pai naquilo. Na verdade, nos defeitos eles quase concordaram em todos. Mas eu não e, talvez, nem minha avó ou meu tio. Enfim, ia ser impossível eu me por em leilão. Porque eu cheguei à conclusão que ninguém é bom o bastante para me avaliar mesmo. Nem eu, quando digo que a voz é uma qualidade minha e é um defeito seu, por exemplo. Ou quando o meu jeito de me vestir é bonito e o seu é feio. Aposto a vida como você pensa o contrário. Então quem somos nós para nos leiloar afinal?

Isso significa que não temos um valor, eu e você? Jamais. Significa exatamente o contrário. Nós temos valores demais. Sua vida tem tantos valores excepcionais que eu, no meu único ponto de vista, não consigo enxergar todos. Vejo um aqui, outro ali, mas ignoro uma grande parte. Para começarmos a enxergar todos os valores das pessoas existe uma solução tão simples. Nós precisamos, apenas, aumentar nossos pontos de vista. Nossa mente é capaz de criar infinitos e nós às vezes usamos só um, como uma viseira em um cavalo, olhamos apenas para frente e esquecemos que existe um mundo inteiro ao nosso redor.

Vamos abrir nossa mente, perceber o valor das pessoas. Vamos criar pontos de vista, usar a imaginação. Seguir em frente aceitando que ao seu redor existem outros caminhos é a solução para se valorizar valorizando também quem pensa de outra forma. Então, hoje, amanhã e sempre, olhe para os lados, mesmo que vá para frente.

Raíza Andrade.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Prejudice is the child of ignorance!

Ei, doutor, diz pra mim
De que raça você é
Ei, senhor, fala pra mim
Em qual religião você tem fé

O que lhe faz nessa vida melhor que eu, doutor?
O salário, o bairro que você mora, ou apenas a cor?
Eu não mato, eu não assalto, mas eu sou negão
Só por isso eu preciso ser o escravo dessa nação?
Eu não mato, eu não assalto, mas eu sou ateu
Só tem liberdade de falar quem crê em Deus?

Filha, não olha pra ele, ele é marginal
Ele fuma, ouve rock e usa argola
Filha, essa tua amiga não é legal
Ela namora outras meninas na escola
Pai, eu te pergunto, o que é normal?
Viver sua vida ou viver numa gaiola?

Ei, doutor, diz pra mim
De que raça você é.
Ei, senhor, fala pra mim
Em qual religião você tem fé

Não me espera em casa no almoço para a oração
Eu estarei dormindo ou compondo outra canção
Não espera que eu venha algum dia a concordar
Todo esse preconceito é só desculpa para brigar
Torça o nariz quando passar por uma favela
Mas não humilhe jamais alguém que vem dela

Sabe aquele cara que você viu no sinal?
Ele tem filho, tem esposa e não tem paz
Pode ser que ele se drogue afinal
Mas pela imagem não o julgue jamais
Quanta noticia ruim tem no jornal
A maioria delas você mesmo que faz

Ei, doutor, diz pra mim
De que raça você é.
Ei, senhor, fala pra mim
Em qual religião você tem fé


Raíza Andrade.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Um Ano



            Quanto tempo dura um ano? Será que o suficiente? Muitas coisas acontecem em nossas vidas nesse período, coisas boas e coisas ruins. Às vezes, coisas muito ruins. Foi o que aconteceu comigo. Um ano atrás eu perdi minha avó, vovó Nanci.

Dizem que o tempo cura todas as feridas, quantos anos serão precisos para curar essa? Eu não acredito em céu, muito menos em subir ao paraíso, mas eu busco acreditar nos meus sonhos. Semana passada, quando eu passava por uma situação difícil, sonhei que estava com minha avó no terraço da minha casa. Ela estava diferente, mas estava feliz. Então para mim é isso, vovó está bem ao meu lado, cuidando de mim nos momentos difíceis. É muito comum eu sonhar com ela, quase sempre quando eu me sinto sozinha. E isso não é sinal de nada, é apenas vovó dizendo que está comigo.

            A saudade existe, sempre existirá, mas agora ela já não é tão ruim. Algumas vezes vai doer mais, como hoje. Outras, ela irá me fazer sorrir com lembranças boas. Um dia contarei a alguém como era vovó. Feliz, protetora, carinhosa. Linda, vovó é linda. Saber que eu não a verei mais machuca muito, mas ser sua neta e ter tido a chance de conviver com ela me enche de orgulho.

            Um ano dura exatamente o que deve durar. O suficiente para sentir saudade e transforma-la em maravilhosas lembranças. Mas nunca o suficiente para esquecer a falta que faz uma pessoa tão especial.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Post de Saudades...


Amanhã, dia 29 de março, faz um ano que minha linda avó faleceu.
Este texto eu escrevi algum tempo depois...



É tão triste ver o lugar que você cresceu sendo, em tão pouco tempo, transformado em um nada enorme. É horrível a sensação de entrar em casa em Dezembro e os pinheiros não terem nenhum pisca-pisca colorido envolta deles, passar pela porta de vidro gigante que já quebrou, sabe lá, umas três vezes e não ver a árvore de 2 metros montada no canto esquerdo da sala, perto da escada, onde subindo havia a mesa de jantar e o lustre que parecia cair sobre nós. Olhar pela vidraça e não ver as pessoas fazendo o churrasco perto da piscina e jogando futebol no jardim. Entrar na porta do canto e não encontrar mais as poltronas e a TV, nem o janelão por onde entrava um ventinho bom. 

Mas isso não é nada perto do fato de entrar no quarto de vovó e não encontrar ninguém. Isso não é nada perto de ligar a água quente da sua banheira e esperar encher toda sem ela estar lá pra reclamar, não é ruim como o fato de pular da cama até o teto sem ninguém ri de você... Não tem mais graça se esconder na cortina, não tem mais graça bagunçar os enfeites da sala, nem subir os armários da cozinha. Nada, nada nessa casa tem mais graça. Tudo parece cinza, e o reboco das paredes não é tão frio perto da solidão que lá se instalou. Nessas horas eu fecho os olhos e imagino minha avó aqui, perguntando se eu quero batata-frita com suco de maracujá, cortando as folhas secas do pinheiro e me ensinando o nome de cada planta, fingindo que precisa da minha ajuda pra alimentar os cachorros, rindo feliz pra lá e pra cá com o jeitinho que só ela tinha! Nessas horas sim, eu fico feliz. O sorriso aparece no meu rosto misturado às lágrimas a cada lembrança. A saudade dói, mas a memória me traz alegria. Quer saber quem é minha avó? Olha para o céu, ela é a estrela mais brilhante da noite, a que ilumina todos os meus dias.

Eu te amo, vovó!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Peace, love and hapiness

Eu acredito que um dia irei acordar e minhas janelas não terão mais grades, nem minhas portas terão trincos.

Meu coração não será mais fechado e as pessoas se amarão como se não houvesse amanhã.

Todos irão sorrir e encontrar a felicidade nas coisas mais simples da Terra.

Se isso se chama fé, então eu sou uma pessoa crente.

Se o nome é esperança, eu espero.

Mas se isso for impossível, eu escolho a ilusão.