Amanhã, dia 29 de março, faz um ano que minha linda avó faleceu.
Este texto eu escrevi algum tempo depois...
É tão triste ver o lugar que você cresceu sendo, em tão pouco tempo, transformado em um nada enorme. É horrível a sensação de entrar em casa em Dezembro e os pinheiros não terem nenhum pisca-pisca colorido envolta deles, passar pela porta de vidro gigante que já quebrou, sabe lá, umas três vezes e não ver a árvore de 2 metros montada no canto esquerdo da sala, perto da escada, onde subindo havia a mesa de jantar e o lustre que parecia cair sobre nós. Olhar pela vidraça e não ver as pessoas fazendo o churrasco perto da piscina e jogando futebol no jardim. Entrar na porta do canto e não encontrar mais as poltronas e a TV, nem o janelão por onde entrava um ventinho bom.
Mas isso não é nada perto do fato de entrar no quarto de vovó e não encontrar ninguém. Isso não é nada perto de ligar a água quente da sua banheira e esperar encher toda sem ela estar lá pra reclamar, não é ruim como o fato de pular da cama até o teto sem ninguém ri de você... Não tem mais graça se esconder na cortina, não tem mais graça bagunçar os enfeites da sala, nem subir os armários da cozinha. Nada, nada nessa casa tem mais graça. Tudo parece cinza, e o reboco das paredes não é tão frio perto da solidão que lá se instalou. Nessas horas eu fecho os olhos e imagino minha avó aqui, perguntando se eu quero batata-frita com suco de maracujá, cortando as folhas secas do pinheiro e me ensinando o nome de cada planta, fingindo que precisa da minha ajuda pra alimentar os cachorros, rindo feliz pra lá e pra cá com o jeitinho que só ela tinha! Nessas horas sim, eu fico feliz. O sorriso aparece no meu rosto misturado às lágrimas a cada lembrança. A saudade dói, mas a memória me traz alegria. Quer saber quem é minha avó? Olha para o céu, ela é a estrela mais brilhante da noite, a que ilumina todos os meus dias.
Eu te amo, vovó!

Com certeza ela olha por vocês e lhe protege todos os dias!
ResponderExcluirHelena