quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Carta ao Leitor

           Querido Deus,




          Eu moro aqui na Terra há alguns anos e queria muito que o Senhor prestasse atenção em mim. É que eu venho Lhe pedindo já tem um tempo para que ajude os habitantes do meu planeta.

       Eu sei que o Senhor é muito ocupado, só que cada dia mais eu vejo as pessoas falarem quão maravilhosos são os seus milagres, mas sinceramente, Deus, o que eu vejo todo dia me deixa cada vez menos esperançosa. As pessoas estão se matando, Pai. Tudo é motivo pra guerra. Isso está piorando. A gente precisa que o Senhor nos ajude. Até hoje eu rezei, eu supliquei, meu Senhor, mas a guerra não acaba. Então me perdoa se eu não me ajoelhar hoje e rezar para algum santo? Afinal o perdão é um dom divino. Menos para os padres. Sabia que eles estão condenando quem não segue os dogmas da igreja? Ou os pastores, que não perdoam os que não contribuem financeiramente para os cultos. O Senhor me perdoará se eu parar de ir à igreja? Acontece que eu não convivo bem com hipocrisia. Acho até, Pai, que vou ser mais útil amando o próximo e não o julgando

         Deus, eu não sei quem colocou as palavras na Tua boca. Eu peço perdão em nome deles também. Foi uma brincadeira tão chata quanto à de criarem religiões que separam as pessoas e as tornam infinitamente distantes umas das outras. Quando na verdade, Pai, elas estão tão perto. Mas eu não acredito nelas, eu acredito em Ti. É pena que eu não possa chegar perto de Ti, pois no mundo que vivo eu nos vejo cada vez mais distante. Ah, se as pessoas Te vissem como Tu realmente és. Nós Te teríamos sempre em nossos corações. Algumas pessoas por aqui Te enxergam como religião, outras como poder, e ainda outras que acham que não existes. Eu Te sinto real na minha Fé. Eu tenho Fé. Mas minha Fé sozinha não acaba com a guerra. E nós continuamos distantes.  

          Quando será que deixaremos de Te chamar de Deus e Te chamaremos pelo Teu nome verdadeiro, Paz?

Assinado,

Raíza Andrade.

A vida é uma droga - Ou não!

A vida é uma droga. Não é fácil viver. É, definitivamente, a tarefa mais difícil do mundo. Ter que acordar, ter que dormir e ter que comer. Sem contar o fato de se apaixonar, de amar alguém, de sofrer por ciúmes ou de preocupação. Não, viver não é nada fácil. Faz anos que eu vivo e ainda não descobri uma fórmula que deixasse tudo menos complicado. As pessoas vivem te pressionando, de certa forma que até você pressiona a si mesmo. Isso é ridículo. Estamos falando da sua vida, das suas escolhas. Ninguém, exceto você, tem o direito de fazê-las. Se fizer algo errado, tem alguém para reclamar, se fizer certo, tem alguém para parabenizar. Em nenhum momento você faz alguma coisa e observa sozinho o resultado. A sua vida é mais dos outros que de você mesmo. Como? Ninguém pode viver por você. Mas você vive pelos outros. Ordens, críticas, elogios. Tudo isso faz parte do seu dia-a-dia. Não faz diferença ser celebridade ou anônimo, rico ou pobre. Na verdade todo mundo vive pelos outros. Seguindo exigências e tendo conceitos culturais já previamente estabelecidos. Qual é? Você é perfeitamente capaz de ter suas crenças e descrenças. A vida é tão difícil de viver que nós só a suportamos porque somos felizes.


Acontece que a vida não é uma droga. Não é difícil viver. É, definitivamente, a tarefa mais fácil do mundo. Somos felizes porque amamos, nos apaixonamos, nos preocupamos e estamos sempre agradando alguém ou desagradando. Vendo assim, a vida é muito mais fácil do que pensava. Os elogios e as criticas nos fazem continuar lutando pelos nossos sonhos. O amor ao próximo nos faz continuar acordando todos os dias. O que também nos faz ir dormir todos os dias. E nos faz comer. Ah, o amor. Essa palavra basicamente explica a vida. Você vive sua vida. Não pelos outros, mas por si mesmo. Resgatar um conceito já estabelecido nada mais é do que escolher entre um milhão, uma coisa em que você acredita. A vida é tão fácil de viver que nós até somos felizes.

Raíza Andrade.