Depois
de correr, observou o céu fechado. Nublado. Refletindo seu coração. Abriu os
braços e acolheu a chuva. Quem sabe lavasse a dor que saia de seus poros. Assim
como lavou a sujeira da rua. Gotas caíram em seus olhos, mas não se importou. A
chuva veio e foi tão rápido que não deu tempo se afogar. Fora rejeitado até por
ela. No chão, apenas a lama. Esta já era tão íntima da sua vida que podia se
ver nela. Olhou para o alto até que ficasse tonto. Nem ousaria rezar. Não daria
credibilidade a um Deus que o desse ouvidos. Pediu perdão ao meio fio ao
sentar-se sobre ele. Leu em um letreiro de neon a palavra FELICIDADE e fechou
os olhos como se aquilo ofuscasse sua vista. Tinha o cigarro, mas perdera o
isqueiro. Tinha a boca, mas perdera o sorriso. Tinha o coração, mas perdera a
vida.
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