Quanto vale você? Quanto eu estou valendo agora? Será que algum dia eu poderia saber? Sei lá, talvez um dia eu queira me vender pra alguém. Quem faz doação é caridade e produto de graça é produto sem valor. Calma, muita calma. Eu não quero me vender agora. Quero apenas estimar quanto eu lucraria vendendo a mim mesma, afinal, estamos em um mundo capitalista. Se tudo gera lucro, por que eu não? Mas não encontrei especialista no assunto para avaliar o meu valor. Aconselharam-me a me colocar em um leilão, caso precise, em que cada interessado faz a sua oferta. Seria interessante, eu pensei. Teria muita gente que avaliaria os meus prós e os meus contras. Muitos contras baixariam a oferta e muitos prós a aumentariam. Simples assim.
Espera... O que é um “contra” pra você? É o mesmo que para sua mãe? É o mesmo que para seu irmão? Se não, não, você não me avalia. Vocês são muito confusos. Eu sou muito confusa. Tentei me colocar junto aos meus pais escolhendo as minhas qualidades e os meus defeitos. Não funcionou nem um pouco, minha mãe achava que eu era boa nisso, meu pai naquilo. Na verdade, nos defeitos eles quase concordaram em todos. Mas eu não e, talvez, nem minha avó ou meu tio. Enfim, ia ser impossível eu me por em leilão. Porque eu cheguei à conclusão que ninguém é bom o bastante para me avaliar mesmo. Nem eu, quando digo que a voz é uma qualidade minha e é um defeito seu, por exemplo. Ou quando o meu jeito de me vestir é bonito e o seu é feio. Aposto a vida como você pensa o contrário. Então quem somos nós para nos leiloar afinal?
Isso significa que não temos um valor, eu e você? Jamais. Significa exatamente o contrário. Nós temos valores demais. Sua vida tem tantos valores excepcionais que eu, no meu único ponto de vista, não consigo enxergar todos. Vejo um aqui, outro ali, mas ignoro uma grande parte. Para começarmos a enxergar todos os valores das pessoas existe uma solução tão simples. Nós precisamos, apenas, aumentar nossos pontos de vista. Nossa mente é capaz de criar infinitos e nós às vezes usamos só um, como uma viseira em um cavalo, olhamos apenas para frente e esquecemos que existe um mundo inteiro ao nosso redor.
Vamos abrir nossa mente, perceber o valor das pessoas. Vamos criar pontos de vista, usar a imaginação. Seguir em frente aceitando que ao seu redor existem outros caminhos é a solução para se valorizar valorizando também quem pensa de outra forma. Então, hoje, amanhã e sempre, olhe para os lados, mesmo que vá para frente.
Raíza Andrade.
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