Era uma vez uma mosca. Ao nascer ela foi avisada
só ter um mês de vida. Durante sua vida curta ela fez tudo que pode, ao invés
de se deixar abater pela sua futura morte precoce. Faltando algumas poucas horas
para o seu trágico destino, a mosquinha, já uma idosa, foi procurada por um dos
seus filhos:
- Mãe, como a senhora consegue estar feliz
sabendo que morrerá daqui a pouco?
- Meu filho, eu estou contente
porque estou realizada. Fiz tudo o que queria na minha vida.
- Mas como a senhora conseguiu
sabendo que tinha um prazo para viver?
- Ah jovem. Para tudo se tem um
prazo. O melhor que você faz é aproveita-lo sabia?
- Eu fico meio triste às vezes por
saber que morrerei rápido. Olhe os humanos, eles vivem tanto, queria ser como
eles.
- Observe-os, querido. Eles desde
o nascimento, como nós, têm um prazo de validade. Umas vezes mais curtos e
outras vezes mais longos. Mas vivem sabendo que um dia não viverão mais. E
observe melhor. Eles não aproveitam esse tempo, por isso vivem tão infelizes.
Simplesmente não aproveitam o prazo que tem. Eles desde cedo reclamam da vida.
Imagina se nós fizéssemos isso com o tempo que temos? Não daria nem para ficar deprimido.
- É verdade, mamãe. Melhor eu
aproveitar muito bem meu tempo, não é?
- Sim, só se vive uma vez. Só temos
esse prazo. Devemos aproveita-lo. Os humanos algum dia entenderão isso. Você
ainda quer ser como eles?
- Não, não. Acho que o tempo que
eu tenho é mais que suficiente para me divertir. Mas ainda sobra um pouco para
eu sentir pena deles. Deve ser muito triste perder tempo lamentando o que se
tem de mais importante não é mesmo?
Raíza Andrade