Olhei a fotografia mais uma vez. Incrível. Eu ainda era uma menina, ele tinha lá seus 18 anos. Eu usava uma rosa no cabelo e mesmo assim sorria. Odiava ganhar rosas.
- A questão não é se você gosta de rosa ou não. Eu sei que você está feliz apenas pelo fato de eu ter pensado em você.
Ri ao me lembrar. Na foto, ele sorria triunfante.
- Não acha que eu sei que qualquer coisa que eu te der vai te agradar? – Disse enquanto colocava a rosa atrás da minha orelha.
- Por que acha isso? – Arqueei uma sobrancelha.
- Por que você me ama. – Parou na minha frente.
- Como tem tanta certeza? – Era pura verdade. Mas não daria o braço a torcer.
- É tão simples. Eu vejo nos seus olhos.
- O que você vê nos meus olhos? – Perguntei ansiosa.
- Espere aqui. – Disse isso e correu em direção à praça.
Pouco tempo depois me chamou de longe. Eu fui até onde ele estava e reparei em um senhor com uma câmera fotográfica antiga.
- Não mesmo, eu não estou arrumada. – Antecipei minha resposta.
- Querida, você está maravilhosa. – Me abraçou e fez sinal para o fotógrafo. – Olha para mim. – O olhei a contragosto. – Não se preocupe. Você fica linda de qualquer jeito. – Sorri apaixonada e me virei para tirar a foto.
Lembro que não era possível receber a foto no mesmo dia, ficamos de ir busca-la no outro. Naquele mesmo dia pela tarde, ele recebeu um telefonema do exército. Dói meu coração ao lembrar. No fim de semana ele partiria, deixando-me uma saudade imensa. Pelo tempo que ele ficou no exército, eu esqueci completamente da fotografia que tiramos na praça. Meus dias e minhas noites se resumiam a sentir saudade e uma profunda angustia. Mas finalmente ele voltou. Trazendo consigo todo meu mundo de volta.
Quando o vi, ele estava em frente a sua casa, que era na esquina da minha. Conversava animado com alguns amigos. Olhou para mim e sorriu seu melhor sorriso. Veio em minha direção e me abraçou.
- Eu senti sua falta. – Ele disse.
- Eu também senti a sua. – Respondi.
- Eu sei. – Sorriu. – Eu sei que você me ama, lembra?
- Como você sabe?
Ele me soltou, correu para sua mochila e tirou de lá a nossa foto na praça. Trouxe-a até mim e me entregou.
Eu olhei cada detalhe. Ele tinha ido buscar e eu nunca soube. Nossos olhos brilhavam apaixonados e nossos sorrisos denunciavam toda nossa felicidade. Era lindo de se ver.
- Olha bem para o casal da foto. Você acha mesmo que o amor do rapaz pela garota não é recíproco?
Eu já não controlava minhas lágrimas. Foi a primeira vez que ele disse que me ama.
- Eu também te amo. – Pulei em seu pescoço.
Ele riu e me girou pelo ar.
Sorri com a lembrança. Não somos mais nada jovens. Olhei através da janela e o vi me observando de longe.
- O que está fazendo minha querida?
- Estou apenas limpando os porta-retratos. – Inventei algo.
- Não. Você estava pensando em mim. Em nós. – O mesmo sorriso de anos atrás.
- Como você pode saber disso? – Adorava questioná-lo.
- Você quer mesmo que eu vá pegar a câmera fotográfica?
Raíza Andrade